Realidade (Altamir -dez/2001)

Onde é que está o manto que cobria seu pescoço?
Onde é que está o pranto que banhava o seu rosto?
Eu sei que você pensou que poderia ver o mundo
Com olhos sem limites de um triste vagabundo
Mas lhe digo que a festa a que fomos convidados
Nem sempre interessa para muitos abastados
Que comem e se fartam sem deixar nenhum pedaço
Para alguém de dentes limpos que estenda o seu braço

É a festa da vida
onde dançamos contentes
E eu já nem te conheço
porque somos diferentes


Onde está aquele sapato que pisava fortemente?
Onde está o homem sensato que falava mansamente?
Pode ser que nesta noite onde tudo é comprado
Foi vendido até o sorriso do filho desamparado
Vi um pai trocar comida por um copo sedutor
Quando os filhos tinham fome de alimento e amor
É o clamor de um mundo inteiro que atinge o próprio céu
Onde a chuva banha a terra como lágrimas de fel

É o dinheiro que me compra
e eu não quero me vender
É como eu já não te olho
você já não me quer ver