Foi a palavra que primeiro veio à minha mente. São tantos os caminhos que se cruzam e se misturam e justamente por isso, desconexos e tortuosos, são também geradores de grande dúvida. Talvez a maior delas... Por onde ir? Para onde ir? É mais ou menos como as perguntas existenciais que perseguem a humanidade. De onde viemos e para onde vamos? São perguntas sem respostas objetivas e que só podem ser respondidas no íntimo de cada um, à luz da subjetiva fé...
Então como explicar um sentimento inexplicável, cuja subjetividade é evidenciada pela forma tão etérea. Fé é quem determina o caminho... Crer ou não, desempenha papel fundamental na escolha do caminho... Até quando não acreditei tive fé...
Um dia meu pai havia me dito, quando estava lutando contra a doença e ainda tinha boa qualidade de vida, que invejava as pessoas que tinham fé, porque ele não conseguia ter: "Como deve ser bom ter fé"... Ele me disse isso muitas vezes. Mas numa de suas viagens à minha casa ele trouxe para a neta um enfeite para seu quarto. Uma madeira envernizada com os seguintes dizeres: "O Senhor é o meu Pastor...nada me faltará". (Sl 23) Ele tinha fé e não sabia!
A fé, esse indomável sentimento, que por vezes se acovarda e da mesma forma se ergue com altivez, que nos coloca diante da grandeza de Deus e em outros momentos se enfraquece e nos separa de Sua misericórdia, essa fé tão emblemática... remete-me aos mais doces e aos mais duros momentos de minha vida. Lembro-me de meu pai, de sua fé escondida e libertária. Sim, libertária... a fé o libertou, quando ele acreditou em si mesmo ainda menino e foi em busca de um futuro melhor, quando ele acreditou na vida e lutou por ela até o último instante e principalmente quando ele acreditou em Deus e pediu a Sua misericórdia.
A fé me fez chegar até aqui... ainda que por caminhos tortuosos.
"Mesmo se eu andar por um vale de sombras e de morte, não receio mal algum, pois estás comigo, teu bastão e teu cajado me dão segurança".
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