11 de dezembro |







SANTOS OTERO, Aurélio de. Los Evangelios Apocrifos – colleción de textos griegos y latinos, versión crítica, estúdios introductorios, comentários e ilustraciones. BAC. Madrid, 1956.
Tradução: Prof. Altamir Andrade

PARTE I

Introdução Geral

Apócrifos, no sentido etimológico da palavra, significa "coisa escondida, oculta". Este termo servia, na antiguidade, para designar os livros que se destinavam exclusivamente ao uso privado dos adeptos de uma seita ou iniciados em algum mistério. Depois esta palavra veio a significar livro de origem duvidosa, cuja autenticidade se impugnava.

Entre os cristãos se designam com este nome a certos escritos cujo autor era desconhecido e que desenvolviam temas ambíguos. Se bem que se apresentavam com o caráter de sagrados. Por esta razão, o termo apócrifo veio com o tempo a significar suspeito de heresia ou, em geral, pouco recomendável.

Apócrifos do Novo Testamento

A noção de apócrifos neotestamentário é difícil de precisar por se ter dado a este termo um significado muito elástico no decorrer dos tempos, colocando debaixo de sua sombra uma multiplicidade de escritos muito diversos entre si.

Segundo Amann (Apocryphes du NT.: SupDBi I, (1928) col.460ss), diremos que esta noção está intimamente ligada ao conceito de cânon das Sagradas Escrituras. Assim podemos incluir na citada categoria todos os escritos que, desenvolvendo temas análogos aos dos livros canônicos do Novo Testamento, pretendem de forma mais ou menos velada, buscar para si o caráter de sagrados e equiparar-se aos que a Igreja tem como inspirados, sem que, apesar de tudo,sejam recebidos oficialmente por ela no cânon.

Consta-nos, com efeito, pelo testemunho de São Lucas (1,1) que, já desde o princípio, muitos empreenderam o trabalho de coordenar a narração das coisas que tiveram lugar no tempo de Jesus. Orígenes (253-54),quando comentava esta passagem, distinguia, já, ao lado dos quatro evangelhos inspirados e recebidos como tais pela Igreja, outros muitos "compostos por aqueles que se puseram a escrever evangelhos sem estar investidos da graça do Espírito Santo" (Hom. In Lc I: PG 13,1801), e que, portanto, estavam destituídos de toda autoridade. Segundo ele, tais livros estavam, sobretudo, em poder dos hereges.

Tal fato havia sido, já, assinalado "data ocasione", por outros escritores mais antigos, como Santo Irineu (h.202- Adv. Haeres.III.II,8:PG 7,885) e Clemente de Alexandria (autor de 215 - Strom.III 13: PG 8,1194), os quais, contudo, não mostravam tanto rigor contra esta literatura acanônica.

Nos princípios do sec. IV, o cânon fica definitivamente fixado, pelo menos em suas linhas fundamentais e assim, a noção de apócrifos fica perfeitamente delimitada. Eusébio, ao tratar dos livros do Novo Testamento, depois de enumerar os que unanimemente são aceitos por todos (protocanônicos) e os que ainda são objeto de discussão (deuterocanônicos), fala de outros que são bastardos e espúrios os quais, em grego, denomina "nota". Entre estes distinguia duas categorias:

a) a dos que, ainda não pertencendo ao corpo neotestamentário, são citados por autores eclesiásticos e apresentam um caráter ortodoxo: versão grega dos Atos de Paulo, o Pastor de Hermas, a Carta de Barnabé, o Apocalipse de João, o Evangelho dos Hebreus, etc.

b) aqueles que, sendo de conteúdo herético, pretendem substituir as escrituras canônicas e por isso se abrigam sob o nome de apóstolos: versão grega dos Evangelhos de Pedro, Tomé, Matias, os Atos de João, etc.

Resumindo, podemos, em conclusão, fixar em duas as características ou notas do apócrifo neotestamentário:

a) sua acanonicidade;

b) sua pretensão de substituir ou equiparar-se aos escritos inspirados com intenções nem sempre confessáveis;

Deslindado assim o campo, se entende como não podem se incluir neste conceito escritos como as cartas de São Clemente ou de Santo Inácio, a Didaké, o Pastor de Hermas e outros escritos análogos que certos catálogos posteriores e, inclusive autores modernos consideravam como apócrifos, sem dúvida porque tais escritos se encontram às vezes nos mesmos códices da Sagrada Escritura (o códice Sinaíticus contem o Pastor de Hermas e a Carta de Barnabé. O códice Alexandrino, as cartas primeira e segunda de Clemente). Para um estudo detalhado sobre os códices e manuscritos do Novo Testamento, veja-se TREBOLE BARRERA, J. A Bíblia Judaica e a Bíblia Cristã. Vozes, 1995 e MANNUCCI, V. Bíblia, Palavra de Deus. Paulinas, 1986 (N.T.).

Os apócrifos do Novo Testamento podem ser classificados, assim, como os livros canônicos correspondentes, em 4 grupos:

a) Evangelhos

b) Atos

c) Epístolas

d) Apocalipses

Os dois primeiros grupos são os que contem escritos mais numerosos. Em geral podemos dizer que os apócrifos mais antigos, os que eram realmente de caráter tendencioso, desapareceram, sendo substituídos em sua maior parte por reelaborações de cunho posterior, mais ortodoxas.

Boa parte destes foram conservados em sua língua original, geralmente o grego e em várias traduções ou refundições latinas e orientais (coptas, siríacas, etíopes, armênias, árabes, eslavas). Alguns se conservam unicamente nestas versões. Somente possuímos fragmentos de alguns apócrifos que deve ter sido escrito originalmente em língua siríaca.

Estamos preparando a PARTE II deste assunto e, em breve, estará disponível aqui. Envie suas impressões para o nosso mural.










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